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DA UTILIDADE DA POESIA (E DO POETA)
eu pensava no próximo homem-bomba — e em como (aos pedaços!) gozaria de suas setenta virgens, e nos homens-alvo tomando café, esperando o ônibus, sem saber que, [ e nos tratores demolindo casas com moradores sabendo que, e nos agentes do Mossad teleguiando mísseis, e no choro materno e vidual das filhas de Is r/m ael — e nessas outras coisas que nem minha poesia nem homens como nós podem resolver, quando uma moça em minha frente, chupando sorvete me puxou de volta com sua língua a cuidadosamente moldar a massa em espirais. Pensei em avisá-la que uma gota marrom espessa escorria pelos lábios até o queixo, mas, antes de abrir a boca, um namorado chega e a limpa com um beijo.
Mais um problema que nem minha poesia nem homens como nós podem resolver.
envio: poesia.net www.algumapoesia.com.br Carlos Machado, 2007
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